02.5.2008
Prática de Gestão de Risco - Novo Desafio para as Corporações
Publicado por Marcos Cleyton
O Plano Real aumentou bastante a capacidade de pagamento e aquisição de bens materiais dos brasileiros. A concessão de crédito passou a ser uma ferramenta utilizada, não apenas para pessoas jurídicas, mas cada vez mais por pessoas físicas para a aquisição de um bem, realização de um sonho, suprir uma necessidade inesperada, abrir e gerir negócios, realizar viagens, entre outros.
No entanto, generalizando para a realidade do nosso país, ainda há a falta de uma cultura de crédito e planejamento de gastos em todos os sentidos nas relações entre Cliente X Empresa X Governo. Mesmo com as taxas de juros estando em queda atualmente, ainda é um processo caro para qualquer das partes. Para a prática desta gestão, houve adaptações das políticas de crédito, que passaram a considerar a massa crítica da análise das grandes quantidades de informações, da estatística aplicada a finanças, da ciência do risco versus ganhos, da avaliação técnica, da análise de perdas potenciais, do feeling e visão estratégica do mercado e da economia. Dessa forma esta cultura de crédito vem sendo incluída no mundo empresarial e da sociedade consumidora. A chave para esta engrenagem é entender e praticar o risco como negócio.
Para empresas financeiras em seus produtos, o risco é embutido em todas as células e áreas de negócios da empresa, ao venderem crédito, vendem risco e o risco é o próprio produto. Em empresas não financeiras, indústrias, prestadoras de serviços, entre outras; O risco é um alavancador de negócios, um canal direto e cada vez maior de vendas, sendo essencial para sobrevivência de qualquer empresa. Por isso, uma ótima gestão de crédito poderá se tornar o diferencial competitivo.
Esta tendência também aumenta a probabilidade de inadimplência, perdas e prejuízos. Se partimos para a prática, podemos dividir a gestão de crédito em três instâncias, que interagem e fazem parte de um ciclo: a concessão, a manutenção e a recuperação de crédito.
Na concessão de crédito estamos começando a conhecer o cliente, não temos um histórico interno e é neste ponto que pode surgir fraude ou golpe. O foco principal deve ser, prever o comportamento futuro a quem estamos concedendo crédito, baseando a análise em informações cadastrais, utilizando os Credit Scoring Models ou Modelos de Pontuação de Crédito, como também obter informações de bureaus de créditos, como a Serasa e a Equifax, análise econômico-financeira através de indicadores e verificar o relacionamento do cliente em questão no mercado e na concorrência.
Na manutenção de crédito, já possuímos um histórico, uma maior aproximação comercial e relacionamento com o cliente, sendo as informações aqui analisadas mais precisas, confiáveis e concretas. Onde podemos ter os Behavior Scoring Models, modelos estatísticos que preveem comportamento baseados no histórico do próprio cliente.
Na recuperação creditícia, está a atuação na cobrança dos clientes inadimplentes, onde além de uma política clara, objetiva e focada em proporcionar a liquidez da empresa. Para o processo ser eficientemente gerenciado e controlado, deve-se ter um Sistema de Informações Gerenciais, no qual, monitora-se todos os processos, tecnologias, mercados, economias, produtos, aplicação de recursos físicos e humanos, enfim todas as variáveis diretas e indiretas que afetam a empresa, sendo essa chave principal para a gestão de risco.
De posse desta ferramenta, podemos otimizar lucros, reduzir custos eficientemente, aumentar liquidez diminuindo a inadimplência e antecipar-se as oportunidades e ameaças.
De modo geral, a sensibilidade e conhecimento dos profissionais para poder interpretar esta objetividade e por as mãos na massa, pondo em prática a gestão de risco, é um dos novos e grandes desafios das empresas.
Marcos Cleyton
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