04.12.2008
Criação de Valor por Empresas Brasileiras
Publicado por Davi Gomes
Segundo Brigham, 2008 – p.63-64, é a maximização da riqueza dos acionistas, assegurando que recursos escassos sejam alocados eficientemente, ou ainda, é uma forma de medir a verdadeira lucratividade das operações.
Assim, a criação de valor pelas organizações, induz os gestores a realçarem, aos proprietários e investidores de suas companhias, que sua estratégia de operações cria valor, ao invés de destruir. No caso da empresa criar valor, o gestor precisa apresentar aos seus superiores o planejamento de estratégia que vise sua sustentabilidade e aumento de valor a longo prazo. Nas situações em que a empresa estiver destruindo valor, o gestor deverá apresentar estratégia para a recomposição desse valor a curto e médio prazo. Essas estratégias têm encontrado nos sistemas de avaliação multidimensional, do tipo Balanced Scorecard (Kaplan e Norton, 1996), a oportunidade de união de seus objetivos com as ações necessárias para alcançá-los nas perspectivas: Financeira, de Clientes, de Processos Internos, de Aprendizado e Crescimento. Por essa abordagem, todas as perspectivas devem ser sistematizadas por meio de uma cadeia de relações de causas e efeitos que culminam com seus impactos na criação do valor da empresa.
Empiricamente e baseado na experiência prática em multinacionais e de vários clientes desde micro a grandes empresas, acredito que a gestão financeira no Brasil ainda é muito voltada para “vendas e lucro”, na qual se busca sempre um maior market share, aumento do faturamento e conseqüente aumento do lucro. Os investimentos, custos, tributos e demais despesas não são o foco da gestão financeira, sendo muitas vezes delegadas aos departamentos específicos e mesmo com todo esforço e evolução que a administração financeira teve no Brasil, principalmente nas três últimas décadas, ainda falta muita interação, sinergia e comunicação afinada entre as áreas. Alé disso, ter visão e consciência de que finanças é o sangue da organização então uma excelente gestão financeira é tão crucial quanto uma excelente gestão de vendas.
Salientando que ainda há a falta de cultura de investimento na renda variável, bolsa de valores e ações da maioria da população brasileira.
Diante do já exposto, podemos seguir com a mesma linha de raciocínio.
As empresas e a cultura brasileira visam sempre números finais, aumentos das vendas, dos lucros e da participação no mercado. O foco basicamente é, na maioria das vezes, no negócio e a visão de investidor/acionista é muito pouco esclarecedora para grande maioria dos envolvidos. Criar valor é diferente do que obter lucro, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, “Apenas 20% das empresas ganham da renda fixa”, grandes multinacionais obtiveram lucro, mas poucas criaram valor. Criar valor é tão importante como o lucro, no entanto, criar valor é remunerar o capital investido de forma ideal, com ótimo spread, para que investidores priorizem, incentivem e divulguem o investimento na renda variável do que na renda fixa, mas no cenário e na realidade brasileira é o contrário. Temos vícios mesmo após cerca de 15 anos de uma economia mais estável as micros e médias empresas brasileiras ainda administram viciadas num passado de inflação galopante, pouca mecanização, automatização, informação e baixa especialização.
Os paradigmas, muitas vezes não tão explícitos, são empecilhos para a criação de valor por muitas empresas. Uma excelente gestão do capital de giro pode manter a empresa viva por muito mais tempo e suportando perdas numa queda de faturamento, de lucros, mudança de mercado.
Além disso, a falta de visão investidora é um carma além de cultural, mas também educacional, pois não vemos as perdas como ganhos, ou seja, ganho de experiência, maturidade, oportunidades, e sim sempre como fracasso.
As empresas ainda não compartilham suas melhores informações, troca de excelência entre concorrentes, que já é uma prática e sinal de futuro, pois a complexidade do mercado e consumidor é bem maior que há 10 ou 30 anos.
As empresas brasileiras não criam valor ou criam pouco valor, tanto por falta de especialização em finanças, como também por sermos um país que ainda valoriza o importado ao nacional, a prata da casa não recebe tantas oportunidades quanto deveria. Portanto, devemos oportunizar, valorizar e divulgar o que realmente temos de diferencial, porque num mesmo país temos mercados, culturas, nichos de oportunidades tão diferentes e diversificados, para solidificar e exportar o conhecimento com um valor agregado bem maior que o atual.
BRIGHAM, Eugene. Administração Financeira, Teoria e Prática – Atlas – 2008.
Kaplan e Norton. Balanced Scored Card, 1996
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GF I